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Perguntas Frequentes

As perguntas mais freqüentes (FAQs) sobre o setor sucroenergético, sua atuação e seus produtos – o açúcar, o etanol e a bioeletricidade – estão organizadas abaixo por temas. Escolha um tema por vez e navegue em suas respectivas perguntas e respostas:

Álcool combustível, o etanol

O que foi o PROÁLCOOL?

Criado em 1975, o Programa Nacional do Álcool (PROÁLCOOL) foi o passo inicial do que hoje é considerado o mais importante e bem-sucedido programa de combustível comercial renovável já implantado no mundo. Lançado por decreto presidencial, o PROÁLCOOL incentivou a oferta em grande escala de etanol produzido de cana-de-açúcar, mandioca e outros insumos, aproveitando-se da experiência acumulada do Brasil desde a década de 20 com a produção e utilização do etanol combustível em menor escala. O primeiro “choque do petróleo” em 1973, que causou forte aumento no preço do barril de petróleo, foi o principal estímulo para o lançamento do PROÁLCOOL. Na época, a maior parte do petróleo utilizado no Brasil era importado e a elevação no preço do petróleo teve forte impacto nas contas externas brasileiras. A produção brasileira de etanol ilustra bem o sucesso do programa: o total cresceu de 555 milhões de litros em 1975-76 para mais de 20 bilhões de litros na safra 2007-08.

Existe algum subsídio para a produção de etanol no Brasil?

Não há qualquer subsídio governamental para a produção de açúcar ou etanol no Brasil. O setor trabalha com os preços liberados desde o início de 1999, sem qualquer controle estatal sobre a produção, distribuição ou comercialização da cana, do açúcar ou do etanol. Os preços são livres e determinados pelas regras de mercado. As importações e exportações de açúcar e etanol são livres e realizadas por conta e risco dos empresários envolvidos, não existindo barreiras tarifárias a exportações ou importações.

Quais as diferenças entre o etanol anidro e o hidratado?

A diferença entre o etanol anidro e o hidratado está no teor de água. Enquanto no anidro o teor fica em torno de 0,5%, no hidratado ele chega a cerca de 5% em volume. O etanol anidro é o adicionado à gasolina, enquanto o hidratado é o etanol vendido nos postos de combustíveis. O etanol hidratado sai diretamente das colunas de destilação das usinas produtoras. Já o anidro, produzido a partir do hidratado, passa por um processo adicional que retira a maior parte da água presente.

Qual o papel do etanol na matriz energética do Brasil?

O consumo de etanol no Brasil tem registrado crescimento contínuo, sustentado principalmente pelo aumento da frota de veículos Flex-Fuel. Em 2007, o volume de etanol foi equivalente a 44% do consumo de combustíveis líquidos pelos automóveis e veículos comerciais leves capazes de consumir etanol e/ou gasolina, e 40% do total de combustíveis consumidos por veículos comerciais leves no País. O etanol e o bagaço da cana-de-açúcar (resíduo utilizado na produção de energia térmica e eletricidade nas usinas), responderam conjuntamente por 15% da oferta interna de energia. Além dos benefícios para a economia e o meio ambiente, a produção doméstica do etanol representa, desde 1975, uma poupança de divisas para o Brasil de US$ 85.8 bilhões (base 2007, fonte Datagro).

Quais as diferenças entre o etanol de cana-de-açúcar, produzido no Brasil, e os de milho, beterraba e outros produtos agrícolas, produzidos em outros países?

O etanol brasileiro, produzido de cana-de-açúcar, apresenta vantagens econômicas e ambientais claramente documentadas em relação ao etanol produzido de outros insumos. O balanço energético do etanol brasileiro, ou a proporção entre a energia fóssil utilizada para produzí-lo e a energia contida no combustível produzido, é altamente positivo. São nove unidades de energia renovável para cada unidade de energia fóssil utilizada na produção. Segundo o World Watch Institute, esse índice é cerca de quatro vezes superior ao do etanol produzido no continente europeu, e quase cinco vezes maior que o do etanol produzido a partir do milho. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, a produção de gasolina e de diesel, além de não produzir energia renovável, apresenta eficiência energética negativa – cada unidade de energia fóssil consumida no ciclo de produção gera em torno de 0,8 unidades de energia fóssil. Em relação à emissão de gases causadores do efeito estufa, segundo diversas estimativas calculadas com base na análise de ciclo de vida do produto (well-to-wheel analysis), o etanol brasileiro de cana-de-açúcar reduz as emissões em cerca de 90% comparado com o uso da gasolina.



Bioeletricidade

O que é bioeletricidade?

A bioeletricidade é a co-geração de energia elétrica a partir de biomassa. No setor sucroenergético, isto significa produzir duas formas de energia - térmica e mecânica, por meio da biomassa composta pelo bagaço e a palha da cana. Com a produção brasileira de aproximadamente 487 milhões de toneladas de cana-de-açúcar registrada na safra 2007/08, o potencial de geração de bioeletricidade, considerando-se a tecnologia existente, chega a 1.800 megawatts médios (MW).

O que é e para que serve o bagaço da cana-de-açúcar?

O bagaço é o material que resta após a moagem da cana-de-açúcar para extração do caldo e produção de açúcar e etanol. Parte do bagaço sempre foi utilizado pelas usinas para produção de bioeletricidade. É a queima desse material em caldeiras que torna as usinas de açúcar e etanol auto-suficientes em energia elétrica, eliminando a necessidade de aquisição de eletricidade das distribuidoras. Agora, começa a ganhar fôlego um processo que permitirá não só a auto-suficiência mas o fornecimento, por parte das usinas, de grandes excedentes para ampla distribuição. A expansão na produção de bioeletricidade pelas usinas é possível com a utilização de caldeiras de alta eficiência que permitem às usinas gerar grandes excedentes para venda às distribuidoras de energia elétrica.

Como a palha da cana-de-açúcar pode contribuir para a geração de bioeletricidade?

A palha da cana-de-açúcar pode ser utilizada na geração de bioeletricidade como biomassa, juntamente com o bagaço, que é o material que resta após a moagem da cana para produção de açúcar e etanol. Tanto o bagaço quanto a palha podem ser utilizados em caldeiras de alta eficiência, que permitem a geração de grandes excedentes de eletricidade para venda às distribuidoras. Até o início da colheita mecanizada, a palha da cana vinha sendo queimada para facilitar o corte manual da cana. Com a mecanização, a palha passou a ser deixada sobre a terra, como proteção do solo contra erosão e pragas. Com o avanço da colheita mecanizada, que já chega a 45% da colheita de cana em todo o Brasil, uma parte da palha continuará sendo deixada sobre o solo, e o resto será recolhido e utilizado como biomassa na geração de bioeletricidade.

Qual o potencial de geração de bioeletricidade pelo setor sucroalcooleiro?

Para a safra brasileira de 2020/2021, com produção estimada em um bilhão de toneladas de cana, o potencial para geração de bioeletricidade apenas com o bagaço é de 7.600 MW médios, chegando a 14.400 MW médios com a utilização também da palha. Em relação aos outros países, há diferentes situações. A Índia, por exemplo, tem um volume de produção de cana comparável ao do Brasil, mas não tem o mesmo nível de desenvolvimento industrial porque ainda há muitos usos artesanais. Em países que têm um nível de industrialização comparável ao brasileiro, o problema é o volume pouco expressivo de produção de cana-de-açúcar. Nesta categoria, estão África do Sul, Austrália e Tailândia. Também são muito pequenas as produções de países da América Central e do Sul.



Questões Ambientais

Quais os benefícios ambientais da produção e uso do etanol?

A cana-de-açúcar é uma matéria-prima renovável, de crescimento rápido e corte anual, possui elevado poder de absorção e fixação do principal responsável pelo aquecimento global, que é o gás carbônico (CO2) presente na atmosfera. Por ser uma planta com ciclo de produção de 5 anos, a cana requer quantidade reduzida de fertilizantes e defensivos agrícolas, produtos que consomem combustíveis fósseis na sua produção. Outra vantagem da cana é que a arquitetura e as características de suas raízes possibilitam uma captura eficiente de nutrientes e uma absorção eficaz de carbono do solo, fatores que também minimizam a geração de gases causadores do efeito estufa. Nas condições existentes no Brasil, a produção do etanol de cana apresenta elevada eficiência energética, pois requer consumo muito baixo de energia fóssil, o que também contribui para a redução da emissão de gases de efeito estufa. Pode-se dizer que cada unidade de energia fóssil consumida no ciclo de produção do etanol gera mais de 8 unidades de energia renovável, valor que no futuro pode chegar a 11 unidades. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, a produção de gasolina e de diesel, além de não produzir energia renovável, apresenta eficiência energética negativa - cada unidade de energia fóssil consumida no ciclo de produção gera em torno de 0,8 unidades de energia fóssil. De acordo com a Agência Internacional de Energia, a produção e o uso do etanol no Brasil permitem reduzir em mais de 80% a emissão de gases de efeito estufa em relação à gasolina.

O que é o balanço energético de um biocombustível?

O Balanço Energético de um combusttível é a forma prática que se utiliza para saber o quanto se obtêm de energia para cada unidade de energia consumida na criação do combustível avaliado. Os valores devem ser expressos em alguma unidade energética corrente, tipo Joule, Kilowatts, Kilocalorias ou BTUs. No caso do etanol de cana-de-açúcar produzido no Brasil, estudos recentes produzidos pelo Prof. Isaías Macedo mostram que para cada Joule de energia fóssil gasta no processo de produção, incluindo-se o plantio e a industrialização da cana, se obtem 9,3 joules de energia renovável. Isto significa que o balanço energético do etanol de cana-de-açúcar é altamente positivo. No caso da gasolina ou diesel, se diz que o balanço energético é negativo pois para cada Joule de energia fóssil consumida no processo de produção, que inclui a prospecção, o transporte e o refino de petróleo, se obtêm apenas 0,8 Joule de energia fóssil, na forma de um combustível que, ao contrário do etanol, não é renovável.

Qual a importância da certificação do etanol?

A demanda por produtos certificados é uma forte tendência mundial. A idéia é garantir aos consumidores que os processos produtivos de produtos certificados levem em consideração critérios socioambientais que incluam, claramente, os três pilares da sustentabilidade: ambiental, social e econômico. No caso dos biocombustíveis e, especificamente, do etanol de cana-de-açúcar, tendo em vista a posição de liderança do Brasil, é fundamental que a discussão sobre modelos de certificação seja conduzida em processos multilaterais e “multistakeholder”, ou seja, de forma que todas as partes interessadas participem. Só assim se poderá avançar com legitimidade e transparência na definição de princípios, critérios, indicadores e formas de avaliação sobre temas tecnológicos, ambientais, sociais e econômicos referentes à produção de biocombustíveis. A UNICA defende a criação de um fórum global, com a participação de produtores de diferentes países, para a definição de um processo de certificação socioambiental do etanol que contemple todos os tipos de matérias-primas utilizadas (cana-de-açúcar, milho, beterraba, trigo e resíduos). Somente iniciativas globais multistakeholder podem evitar a proliferação de diversos processos de certificação unilaterais, que em muitos casos podem buscar objetivos paralelos e pouco produtivos, de natureza protecionista, através da imposição de barreiras não-tarifárias ao comércio de biocombustíveis.

O que é o Protocolo Agroambiental da Cana-de-Açúcar?

O Protocolo Agroambiental da Cana-de-Açúcar é um documento assinado no dia 4 de junho de 2007 entre o governo do Estado de São Paulo e a indústria paulista produtora de açúcar, etanol e bioeletricidade, que estabelece o compromisso de antecipação dos prazos legais para o fim do uso de fogo na colheita da cana-de-açúcar. Antes prevista para acabar em 2021, o Protocolo prevê a eliminação completa da queima da palha de cana até 2014 nas áreas em que é possível implantar a colheita mecanizada. Nas áreas onde a mecanização atualmente não pode ser adotada, a antecipação prevista no Protocolo é ainda mais radical: de 2031 para 2017. E não havendo método disponível para mecanização da colheita nessas áreas até 2017, elas deverão deixar de ser utilizadas para o cultivo da cana-de-açúcar. O Protocolo prevê ainda que novas áreas ocupadas pela cana desde novembro de 2007 deverão utilizar exclusivamente a colheita mecanizada, sem uso do fogo. As queimas controladas em canaviais são realizadas para remoção da palha da cana em regiões onde a colheita é feita por corte manual. A eliminação gradual das queimas e do corte manual permitirá que parte da mão-de-obra afetada seja requalificada e reaproveitada, de forma ordenada, dentro e fora do setor sucroalcooleiro. Dez meses após a sua assinatura, 141 das 170 usinas instaladas no Estado de São Paulo já haviam confirmado a adesão ao Protocolo de forma voluntária.



Cana-de-Açúcar

Quando e em que circunstâncias a cana-de-açúcar chegou ao Brasil?

O cultivo da cana-de-açúcar é uma das primeiras atividades econômicas documentadas na história do Brasil. As primeiras mudas chegaram ao Brasil em 1532, trazidas por grumetes da expedição de Martin Afonso de Souza. A planta se espalhou rapidamente graças ao solo fértil, o clima tropical e a mão-de-obra escrava trazida da África. Na época, o açúcar era um produto escasso devido à falta de áreas cultiváveis na Europa. Por esse motivo era também muito valioso, comparável ao ouro e pedras preciosas. A produção de açúcar do Brasil-colônia era exportada para Portugal, que enriqueceu com o repasse do produto para toda a Europa. A principal região produtora do País era a então Capitania Hereditária de Pernambuco, onde foi implantado o primeiro centro açucareiro do Brasil. Hoje, a região Nordeste responde por menos de 20% da produção brasileira de açúcar e etanol, enquanto mais de 80% da produção vem das regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul, especialmente o estado de São Paulo. Confira mais detalhes sobre a história da cana-de-açúcar no Brasil aqui.

Como é a safra da cana-de-açúcar nas principais regiões produtoras do País?

No Centro-Sul do Brasil, região que responde por 50% do etanol e 60% do açúcar produzidos no Brasil, a safra dura em média oito meses, de abril a novembro. Por isso, a produção de etanol a partir da cana ocorre apenas durante esse período, quando há oferta de cana, e o volume produzido precisa ser suficiente para atender a demanda que ocorre continuamente durante todo o ano. No Nordeste, a safra dura sete meses, de setembro a março do ano seguinte. A indústria utiliza os meses da entressafra para procedimentos de manutenção. A cultura da cana-de-açúcar é semi-perene, pois pode ser colhida sem necessidade de replantio por cinco a sete safras anuais consecutivas. Após esse período, pode ser feita uma alternância por outro tipo de cultura pelo período de uma safra, voltando-se a plantar cana em seguida. Uma vez colhida, a cana não pode ser estocada e precisa ser entregue para industrialização em até 72 horas, evitando-se assim perda de qualidade pela ação de bactérias e fermentos.

Qual a dimensão da cana-de-açúcar no Brasil e no mundo?

O Brasil é líder mundial na produção de cana-de-açúcar, tendo processado cerca de 569 milhões de toneladas na safra 2008/2009, cerca de 90% do total na principal região produtora do País, a Centro-Sul, e 10% no Nordeste. Inicialmente utilizada quase exclusivamente para a produção de açúcar, nas últimas três décadas a cana se tornou um novo paradigma de energia limpa e renovável. Ela contribui decisivamente para a sustentabilidade do planeta e para a luta contra o aquecimento global, já que hoje é a matéria-prima mais eficiente para a produção de etanol, obtido do caldo da cana, e bioeletricidade, obtida da biomassa formada pelo bagaço (resíduo fibroso gerado após a extração do caldo) e a palha (pontas e folhas) da cana. A produção mundial de cana-de-açúcar totaliza quase 1,5 bilhão de toneladas e está localizada predominantemente na faixa tropical do planeta, nos países em desenvolvimento da América Latina, África e do Sudeste Asiático. A ampliação da produção, do consumo e principalmente do comércio mundial de etanol, especialmente o produzido a partir da cana-de-açúcar, deve gerar renda e beneficiar os produtores rurais dos países mais pobres. O faturamento anual bruto do setor sucroenergético brasileiro é de cerca de US$ 23 bilhões, sendo que do total de açúcar produzido, 67% foi exportado, situação inversa à do etanol, que teve apenas 17% do total produzido voltado para a exportação.

Qual a expansão prevista para o cultivo da cana-de-açúcar no Brasil nos próximos anos?

A área cultivada com cana-de-açúcar no Brasil totalizou cerca de 7 milhões de hectares em 2007, e deve dobrar até 2020, elevando a produção anual para um bilhão de toneladas, ou mais do que o dobro dos 480 milhões de toneladas processados na safra 2007/08. O crescimento é necessário para atender à crescente demanda interna, especialmente devido ao sucesso dos veículos FlexFuel, assim como à perspectiva de ampliação das exportações de etanol brasileiro nos próximos anos. Após 2020, estudos da UNICA indicam que a área cultivada deve se estabilizar, mas o volume de cana produzida deve continuar crescendo em função de novas tecnologias, incluindo-se o desenvolvimento de novas variedades de cana, ganhos de produtividade e a chegada do chamado etanol de segunda geração, ou etanol celulósico, prevista a partir de 2015. Segundo o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), o etanol celulósico permitirá a utilização do bagaço e da palha na produção de etanol, o que pode ampliar a produção por tonelada de cana em até 37 litros. Na área agrícola, novas variedades melhoradas geneticamente podem aumentar o teor de açúcar em até 20%, gerando mais litros de etanol por hectare. A utilização conjunta destas novas tecnologias deve levar a um forte incremento na produção de etanol por hectare e, conseqüentemente, a redução na demanda por novas áreas para expansão da cana no Brasil. Até 2012, os investimentos em novas unidades produtoras de etanol, açúcar e bioeletricidade devem chegar a US$ 33 bilhões. Os novos investimentos estão sendo realizados predominantemente por produtores nacionais, mas a participação do capital estrangeiro no setor deve crescer de 7% para 12% até 2012.

A Amazônia está ameaçada pela expansão das plantações de cana-de-açúcar?

A expansão da cana-de-açúcar no Brasil não representa qualquer ameaça direta ou indireta para a Amazônia, região que não reúne condições de solo, logística ou climática para que o cultivo da cana e a produção de açúcar e álcool sejam viáveis. Entre outras condições essenciais, a cana exige períodos secos para que ocorra a concentração de açúcar durante o ciclo de crescimento. A ausência dessa e de outras condições leva a baixos rendimentos de açúcar e etanol por hectare, resultados que, somados às dificuldades logísticas para o escoamento da produção, tornam a produção de cana nessa região economicamente inviável. A expansão do plantio da cana no Brasil segue a tendência observada nos últimos 25 anos e ocorre principalmente no Centro-Sul, em áreas distantes de biomas sensíveis como a Amazônia e o Pantanal. A maior parte dessa expansão vem ocorrendo no estado de São Paulo, o coração da principal região produtora do País, em áreas próximas às usinas já existentes. Isto decorre da pericibilidade da cana-de-açúcar, que uma vez colhida, precisa ser rapidamente processada para que não haja perda de produtividade. Em geral, as usinas estão localizadas em um raio de no máximo 30 kilometros das áreas plantadas. As áreas mais promissoras para a expansão da cana são o oeste do estado de São Paulo, o Triângulo Mineiro e o sul dos estados de Mato Grosso do Sul e Goiás. A expansão da cana se dá principalmente em pastos degradados, nem sempre em substituição a outras culturas e sem necessariamente gerar demanda por mais terras para a pecuária de corte e leite pois a mesma já ocupa cerca de 220 milhões de hectares de terras aráveis, ou mais de 30 vezes os cerca de 7 milhões de hectares ocupados pela cana-de-açúcar no Brasil. Por fim, é importante destacar que enquanto a Floresta Amazônica brasileira ocupa 420 milhões de hectares, ou quase 49% do território nacional, toda a área plantada com cana-de-açúcar no País totaliza 7 milhões de hectares, concentrados nas regiões Centro-Sul e Nordeste. Assim, não há fundamento na idéia de que a cana possa, de algum modo, ameaçar um patrimônio fundamental para os brasileiros e toda a humanidade como a Amazônia.



Veículos FlexFuel

O que são veículos FlexFuel?

Lançados no Brasil em 2003, os veículos Flex-Fuel, ou simplesmente Flex, são capazes de identificar com precisão a presença de gasolina ou etanol no tanque de combustível, em qualquer proporção, e ajustar automaticamente o funcionamento do motor para a mistura de combustível. Existem versões, mais comuns nos Estados Unidos, que utilizam sensores de etanol instalados no tanque ou na linha de suprimento de combustível do veículo. O sistema adotado no Brasil utiliza um sensor que mede o teor de oxigênio presente no escapamento. A diferença entre os sistemas é determinada pelas características climáticas e dos combustíveis disponíveis em cada país. Nos EUA, Canadá, Suécia e outros países com invernos rigorosos, os veículos operam com gasolina pura ou qualquer mistura de etanol até 70% (E70) durante o inverno e 85% (E85) fora da época do inverno. No Brasil, veículos Flex operam com gasolina que já contém de <20 a> 25% de etanol e qualquer mistura de gasolina e etanol, chegando a usar 100% de etanol (E100). O conceito Flex possibilita o uso de etanol em países onde a distribuição é menos abrangente, como ocorre nos EUA, mas também dá ao consumidor a liberdade de optar pelo combustível de sua preferência em países com distribuição ampla, como o Brasil. Bombas de etanol passaram a ser instaladas nos postos de combustível de todo o País em 1976, com o início do PROALCOOL. Hoje, todos os cerca de 33 mil postos brasileiros oferecem pelo menos uma bomba dedicada a etanol hidratado puro (E100). No início de 2008, o consumidor brasileiro já podia escolher entre 63 modelos FlexFuel, fabricados por dez das principais empresas do setor automobilístico. Motores Flex vêm sendo adotados ainda em veículos híbridos, que operam com sistema duplo de propulsão (motor elétrico e motor de combustão interna), melhorando ainda mais a capacidade de redução das emissões de dióxido de carbono (CO2) e de outros poluentes, especialmente os causadores do efeito estufa.

Usar etanol em carros Flex causa algum problema técnico ou desgaste adicional?

Veículos Flex são projetados para utilizar gasolina ou etanol em qualquer proporção, sem causar danos técnicos de qualquer tipo ao motor e sem perda de eficiência ou desempenho. Ao abastecer o consumidor pode optar por qualquer combustível, independentemente daquele que escolheu na última vez em que abasteceu ou do volume de combustível presente no tanque naquele momento, seja qual for a mistura. Também não é preciso alternar combustíveis ou manter qualquer proporção específica entre eles. Alguns mitos que persistem sobre o funcionamento dos atuais veículos Flex quando abastecidos com etanol são resquícios dos problemas técnicos que afetavam os primeiros veículos movidos a etanol, durante a primeira fase do programa PROÁLCOOL. A dificuldade para ligar alguns modelos nas manhãs mais frias do inverno é uma das mais lembradas, algo que não ocorre com veículos FlexFuel, equipados que são com um sistema de acionamento a gasolina desenvolvido especialmente para eliminar este problema.

É mais barato utilizar etanol em vez de gasolina em carros Flex?

Na maioria dos estados do Brasil, sim. Para o consumidor brasileiro, as três décadas desde a introdução do PROALCOOL serviram como um grande aprendizado, que vem sendo aperfeiçoado desde a chegada dos veículos Flex-Fuel em 2003. Se antes era necessário optar por um veículo a gasolina ou outro “movido a álcool”, hoje o dilema não existe para os milhões que já optaram por veículos Flex. De modo geral, o cálculo que muitos brasileiros hoje fazem de cabeça é que o uso do etanol é vantajoso do ponto de vista econômico quando o preço do litro está abaixo de 70% do preço do litro de gasolina. Com exceção de alguns estados onde o ICMS cobrado sobre o etanol é mais elevado, o preço do litro dificilmente atinge o patamar que o torne mau negócio do ponto de vista estritamente econômico. Confira o preço do etanol e da gasolina e o nível de tributação em seu estado no Mapa do Consumidor.

Além do aspecto econômico, quais as vantagens do uso do etanol em vez da gasolina?

Mesmo nos poucos estados brasileiros em que a tributação reduz ou elimina a vantagem econômica do etanol sobre a gasolina, é válido lembrar que existem outros bons motivos para usar o combustível limpo e renovável ao invés do fóssil. O etanol é uma solução genuinamente brasileira, que gera desenvolvimento econômico e tecnológico, cria dezenas de milhares de empregos e economiza bilhões de reais em divisas que não precisam ser utilizadas para importar petróleo. Mesmo com o aumento na produção nacional de petróleo, a auto-suficiência brasileira ainda se refere apenas ao volume produzido e utilizado, pois o Brasil produz menos do tipo de petróleo de que realmente necessita (leve) e mais do tipo menos utilizado no País (pesado). Por fim, independentemente do fator econômico, o uso do etanol sempre representa uma contribuição importante para a redução significativa de particulados e a emissão de gases causadores do efeito estufa e do aquecimento global, como o dióxido de carbono (CO2). Considerando-se todo o processo, do plantio da cana à produção do etanol e seu uso como combustível, a redução nas emissões de CO2 e outros gases de efeito similar chega a quase 90% na comparação direta com o uso de gasolina.

Quais as perspectivas para o mercado de veículos FlexFuel no Brasil?

Em <2007, a> participação dos veículos FlexFuel no total de automóveis comerciais leves novos vendidos no Brasil atingiu a marca de 85,6%, um crescimento acentuado se comparado aos 3,7% dos veículos novos vendidos em 2003, ano em que veículos Flex foram introduzidos no mercado brasileiro. Em dezembro de 2007, o número de veículos Flex em circulação no País chegou a 4,5 milhões de veículos, ou 20% do total existente de automóveis comerciais leves (Fonte: Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores - ANFAVEA). No final de 2007, dez grandes marcas da indústria automobilística já ofereciam 63 modelos de veículos FlexFuel. A participação dos carros Flex tende a se estabilizar em torno de 90% de seu segmento, uma vez que o restante da participação é composto por veículos importados que não possuem a tecnologia Flex ou por veículos leves a diesel. Estima-se que em <2011, a> frota Flex ultrapasse os 10 milhões de unidades e, conseqüentemente, o consumo de etanol no Brasil supere o da gasolina. O sucesso da tecnologia Flex motivou o lançamento de motocicletas FlexFuel, previsto para meados de 2008, e de ônibus urbanos com motor a diesel movidos a etanol (E95) – o primeiro veículo foi lançado na cidade de São Paulo no final de 2007.



Açúcar

Qual a posição do Brasil no mercado mundial de açúcar?

O Brasil é o maior produtor e exportador de açúcar do mundo, sendo responsável, em termos mundiais, por aproximadamente 20% da produção e 40% das exportações. A produção nacional em 2007/08 foi de 31 milhões de toneladas. Cerca de dois terços do açúcar produzido no Brasil (18,6 milhões de toneladas) destinaram-se à exportação, sendo que o açúcar bruto respondeu por mais de 65% das vendas no mercado internacional.

Para onde vai o açúcar exportado pelo Brasil?

Mais de 100 países importam açúcar do Brasil. É importante destacar que praticamente todas as exportações brasileiras são negociadas no mercado livre. As cotas de importação preferenciais dedicadas ao Brasil pelos países desenvolvidos são ínfimas em comparação com o volume total das vendas brasileiras de açúcar. Os Estados Unidos e a União Européia importam menos de 210 mil toneladas de açúcar brasileiro em condições preferenciais, o que representa apenas 1% das vendas internacionais do País.

O Brasil é membro de algum órgão internacional dos produtores de açúcar?

O Brasil é membro da Aliança Global pela Reforma e Liberalização do Comércio de Açúcar, organização que defende o comércio livre e justo de açúcar. Em 2003, depois de anos de longas negociações, Brasil, Austrália e Tailândia moveram ação junto à Organização Mundial do Comércio, OMC contra os subsídios da União Européia ao açúcar, alegando violação de acordos comerciais internacionais. Em 2005, a OMC tomou decisão favorável ao Brasil. Em conseqüência, a UE teve que restringir suas exportações subsidiadas de açúcar, de acordo com seu programa de compromissos com a OMC (1,27 milhão de toneladas), e não pode conceder subsídios cruzados a exportações de açúcar da chamada “quota C”. Para cumprir com a decisão da OMC, a UE foi obrigada a reformar seu programa para o açúcar, reduzindo quotas de produção e preços de referência.



Questões Sociais

Quais as condições de trabalho no setor sucroenergético?

O setor sucroenergético é um dos mais importantes na geração de empregos no Brasil, envolvendo cerca de um milhão de pessoas. Na região Centro-Sul, o setor  emprega, com remuneração digna, garantias trabalhistas e benefícios sociais que variam de empresa para empresa, mais de 400 mil trabalhadores, entre os quais grande contingente com menor qualificação profissional, que teria dificuldade de encontrar emprego na indústria ou no setor de serviços. O corte manual de cana-de-açúcar é uma atividade agrícola, porém, nas empresas associadas à UNICA, a remuneração média do trabalhador é pelo menos o dobro do salário mínimo nacional vigente e superior ao salário médio em todas as culturas que empregam trabalho manual. As relações de trabalho atendem a um vasto conjunto de normas legais, além de serem disciplinadas há vários anos pela existência de acordos coletivos negociados entre as empresas e os sindicatos dos trabalhadores. A evolução do setor vem gerando novas oportunidades de trabalho em ritmo acelerado, com demanda crescente por profissionais especializados para funções de melhor qualidade e remuneração. Em boa parte da região de atuação da UNICA, o corte manual de cana deverá desaparecer até 2014, graças ao Protocolo Agroambiental, assinado entre a entidade e o governo do estado de São Paulo. O protocolo prevê a implantação da colheita mecanizada na maioria das áreas do estado, e em áreas hoje consideradas não mecanizáveis, que são minoria, até 2017. Na prática, isto significa que praticamente toda a colheita paulista estará mecanizada até 2014. O índice de mecanização na safra 2007/08 em São Paulo foi de 40% e deve chegar a 70% em 2010.

Qual o impacto social da mecanização da colheita de cana-de-açúcar?

O impacto social da mecanização da colheita da cana-de-açúcar é significativo, e há esforços em andamento para reduzi-lo que envolvem empresários, diferentes níveis de governo e representantes dos trabalhadores, na criação de programas de treinamento e requalificação de profissionais do setor. Até o final de 2007, o número de cortadores de cana em atividade no Estado de São Paulo era de 189.600, com cerca de 40% desse total composto por migrantes – trabalhadores que vem de outros estados para trabalhar nas lavouras paulistas de cana. Com a implantação gradativa do Protocolo Agroambiental assinado em 2007 pela UNICA e o governo de São Paulo, a colheita manual da cana será totalmente erradicada no estado até 2017. Por outro lado, há um crescimento constante no número de trabalhadores envolvidos na colheita mecanizada. O total, que era de 15.500 na safra 2006/07, deve chegar a 59.500 na safra 2015/16 e 70.800 na safra 2020/21. Na área industrial das usinas de açúcar e álcool, o número de trabalhadores deve evoluir de 55.300 na safra 2006/07 para 68.300 na safra 2015/16, chegando a 75.300 na safra 2020/21. Os números apontam para ma redução de 114.000 empregos até 2020, e um ganho líquido de até 80.000 empregos, sendo que os novos empregos exigirão trabalhadores mais qualificados, mas também oferecerão melhor remuneração.

Existem iniciativas e programas de Responsabilidade Social Corporativa no setor sucroenergético?

Desde <2001, a> UNICA mantém um núcleo de Responsabilidade Social, Ambiental e Sustentabilidade, que desenvolve macroprojetos voltados principalmente para a capaticação e a gestão. São realizados seminários periódicos nas regiões de influência das usinas associadas, abordando questões socioambientais e também os projetos individuais de iniciativa das usinas. As ações lideradas pelo núcleo incluem uma parceria com o Instituto Banco Mundial, para capacitação e conscientização de diretores, colaboradores e gerentes de usinas; um programa de sustentabilidade para toda a cadeia produtiva de açúcar e etanol, criado em parceria com o Banco Mundial; um programa de desenvolvimento de novos líderes, visando a introdução e implementação de práticas de responsabilidade socioambiental em universidades do Estado de São Paulo; a aplicação de indicadores para diagnosticar áreas em que sejam necessárias ações de melhoria socioambiental e de sustentabilidade, em parceria com o Instituto Ethos; e a elaboração do Balanço Social, com foco nos parâmetros desenvolvidos pelo iBase – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas. Outra importante iniciativa em andamento é o GRI (Global Reporting Initiatives), relatório de sustentabilidade reconhecido mundialmente, que demonstra o desempenho das empresas, cria metas para futuras ações e, pormeio de indicadores, apresenta a situação econômica, social e ambiental dentro das empresas. No total, mais de 600 projetos de cunho social ou ambiental são mantidos pelas usinas associadas à UNICA, muitos deles existentes há vários anos.